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História

Comarca do Ribeiro · Ourense · Galiza

Castrelo de Miño

Um lagar romano, uma comunidade religiosa de origem régia e sete paróquias junto ao Minho. Siga as vinhas e travessias de Castrelo até à albufeira que transformou o vale e às pessoas que lhe resistiram.

Galicia · O RibeiroA região
10Capítulos
5Fontes e leituras
Cena imaginada: família atual a cuidar de vinhas sobre uma albufeira, inspirada em Castrelo de Miño
Ilustração histórica · Cena imaginada
Por que importa aquiCastrelo de Miño · Paróquias junto ao rio

Sete paróquias dão a Castrelo a sua escala local: Astariz, Barral, Castrelo, Macendo, Ponte Castrelo, Prado de Miño e Vide de Miño. Vestígios arqueológicos, igrejas, casas e travessias contam histórias junto ao rio. A albufeira mudou terras produtivas e caminhos diários; o capítulo segue essa transformação através das datas e das pessoas afetadas.

A Terra·Geografia e Paisagem

Paróquias junto ao Miño

Cena imaginada: paisagem atual de albufeira e vinhas, inspirada em Castrelo de Miño
Ilustração histórica · Cena imaginada

Castrelo de Miño estende-se pela margem esquerda do Miño: terras ribeirinhas, encostas de vinha e aldeias altas ligadas por sete paróquias. Astariz, Barral, Castrelo, Macendo, Ponte Castrelo, Prado e Vide dão ao território a sua escala humana. O rio atraía caminhos e viajantes para as travessias; as elevações ofereciam lugares para viver, cultivar e sepultar os mortos.

A extensa superfície de água atual é uma camada recente. Antes da albufeira, os meandros rodeavam vinhas, pomares, hortas e prados. A igreja de Santa María continua a erguer-se sobre o rio, enquanto antigos banhos e terras de cultivo ficaram debaixo de água. A história de Castrelo acompanha tanto os lugares conservados como esse vale guardado na memória.

  • Sete paróquias da região vinícola do Ribeiro
  • 1968–1969: enchimento e inauguração da albufeira
Concello de Castrelo de Miño
Pré-história·Das sepulturas megalíticas aos castros

As alturas antes da escrita

Cena imaginada: montagem de megálitos, gravura rupestre e castro em altura de diferentes épocas
Ilustração histórica · Cena imaginada

Acima do rio, as mámoas de Veiga de Arriba, junto a Reigoso, e Vedado do Roxón, em Macendo, assinalam lugares onde as comunidades pré-históricas reuniram os seus mortos. O inventário municipal conta cinco túmulos no primeiro conjunto e três no segundo. Perto, as covinhas, círculos e gravuras quadrangulares de Reigoso fazem da rocha outro vestígio duradouro da atividade humana.

As Cavadas, Macendo, Outeiro e Santa Lucía pertencem à paisagem posterior dos castros, povoados em lugares elevados. As suas histórias prolongam-se para além da imagem habitual da fortificação da Idade do Ferro. Em Santa Lucía, as primeiras escavações de 2016 começaram a revelar como mudaram a agricultura, a ocupação e os usos desta margem ao longo dos séculos.

  • Veiga de Arriba: cinco mámoas; Vedado do Roxón: três
  • Reigoso: covinhas e gravuras geométricas
Concello de Castrelo de Miño
Época Romana·Século I d.C. — Antiguidade tardia

Vinho e poder em Santa Lucía

Cena imaginada: trabalho da pedra e agricultura da época romana na Gallaecia
Ilustração histórica · Cena imaginada

Em Santa Lucía de Astariz, uma cavidade talhada na rocha conta uma história tangível: aqui se processavam uvas na época romana. A equipa de escavação situa a construção do lagar no final do século I d.C., o seu uso seguro no II e a possível continuidade no III. É uma instalação local com vida própria, não uma data aplicável a todas as vinhas do vale.

Os achados alargam a história para além do vinho. Entre cerâmicas, vidro e objetos metálicos surgem peças de cintos militares do período romano tardio. No estudo de 2024, os arqueólogos ponderam se o lugar se tornou depois um castellum, um centro fortificado junto ao Miño. A interpretação continua a ser uma proposta de investigação, mas os objetos situam Santa Lucía nas mudanças da Antiguidade tardia.

A escavação permite assim reconhecer duas atividades: produção numa margem cultivada e uma possível concentração posterior de poder militar. O lagar e as peças de cinto tornam visível essa longa transformação à escala de um lugar.

  • 2016: primeira campanha de escavação
  • Século II d.C.: uso seguro do lagar
  • Peças de cintos romanos tardios sugerem um possível centro fortificado posterior
Pérez Losada e equipa arqueológica — Minius, 2024
Alta Idade Média·Século X e posteriores

A rainha Goto e o mosteiro

Cena imaginada: comunidade monástica da Alta Idade Média a receber produtos de uma família rural
Ilustração histórica · Cena imaginada

No século X, Castrelo tornou-se um lugar de memória real e da vida religiosa de uma mulher. Sancho Ordóñez, rei da Galiza de 926 a 929, foi sepultado no seu mosteiro. A viúva Goto permaneceu ligada à comunidade. O historiador Amancio Isla Frez identifica uma doação real em 947, quando Ramiro II concedeu bens a Goto e ao mosteiro: a terra sustentava a casa religiosa e a posição da rainha dentro dela.

A história municipal identifica Goto como abadessa em 964. O seu percurso acrescenta mais do que um túmulo real: mostra uma viúva a organizar a vida posterior através da propriedade e do patronato religioso. O relato do cronista Sampiro sobre o envenenamento de Sancho I de León também situa o mosteiro na política conturbada do século X. Neste mesmo espaço sagrado continuariam séculos de vida paroquial.

  • 929: Sancho Ordóñez é sepultado em Castrelo
  • 947: Ramiro II concede bens a Goto e ao mosteiro
  • 964: a história municipal identifica Goto como abadessa
Amancio Isla Frez — Anuario de Estudios Medievales, 2016
Idade Média Central·Séc. XI — XV

Poder na passagem do rio

Cena imaginada: propriedade fortificada medieval e trabalho quotidiano das famílias locais
Ilustração histórica · Cena imaginada

A passagem de Castrelo podia levar um viajante à outra margem do Miño ou colocar uma pessoa poderosa nas mãos de adversários. Seguindo a Historia Compostelana, a história municipal relata as detenções de Diego Gelmírez aqui em 1111 e 1121, durante os conflitos em torno da rainha Urraca e do seu filho. As posições fortificadas das margens faziam da travessia um encontro entre caminhos e autoridade política.

A desaparecida ponte de pedra perdurou numa tradição que a associava a San Telmo. Relatos posteriores recordam as cheias e as barcas que asseguravam a passagem. Em 1907 chegou uma nova ponte de ferro, após projetos elaborados durante décadas; as obras da estrada foram definitivamente recebidas em 1912. Para as aldeias, uma travessia estável mudou viagens quotidianas e transportes para Ribadavia e Ourense.

  • 1111 e 1121: episódios de Gelmírez na Historia Compostelana
  • Ponte de San Telmo: atribuição tradicional em relatos posteriores
  • 1907: ponte moderna de ferro sobre o Miño
Concello de Castrelo de Miño
Património Vinícola·Dos testemunhos antigos às vinhas atuais

Vinhas e trabalho familiar

Cena imaginada: vindima e trabalho de adega em socalcos de vinhas galegas
Ilustração histórica · Cena imaginada

O lagar romano de Santa Lucía oferece um começo material à história do vinho de Castrelo. Mais tarde, foros e documentos de propriedade permitem seguir outra paisagem: pequenas parcelas cultivadas, rendas e terras transmitidas entre famílias. O vinho do vale nascia do trabalho repetido em lugares concretos, e a adega ligava a vindima à economia doméstica.

Hoje Castrelo integra a área de produção protegida do Ribeiro. O seu caderno de especificações descreve um território de pequenas parcelas de vinha, muitas antigas, cuja manutenção exige bastante trabalho. A Treixadura continua a ser uma casta branca importante. Nas encostas, viticultores e adegas mantêm produtiva esta paisagem, enquanto as vinhas herdadas guardam a memória de proprietários e colheitas anteriores.

  • Castrelo pertence à área de produção protegida do Ribeiro
  • A Treixadura é central em muitos brancos locais
  • Foros e heranças relacionam parcelas com famílias concretas
DOP Ribeiro — caderno de especificações, 2025
Património Sacro·Séculos X — XIX

Igrejas, registos paroquiais e pazos

Cena imaginada: igrejas galegas, casas senhoriais e um cruzeiro de pedra
Ilustração histórica · Cena imaginada

Santa María de Castrelo reúne várias épocas num edifício. A abside românica vem da igreja medieval; as pinturas de cerca de 1560 trouxeram imagens renascentistas para o interior; a reconstrução de 1763 acrescentou outra camada. A igreja sobre o rio liga o antigo espaço monástico aos batismos, casamentos, funerais e festas das comunidades paroquiais posteriores.

As casas grandes pertencem ao mesmo mundo de aldeias. Troncoso, em Astariz, e Casa da Capela, em Barral, exprimem a importância das propriedades, do patronato e da posição familiar. Em Cavadiña, o município nomeia Antonio Araújo como proprietário em 1816. Igrejas, solares, adegas, moinhos e hórreos revelam em conjunto um campo moldado pela propriedade e pelo trabalho quotidiano.

Em Astariz, San Camilo de Lelis e San Lorenzo têm assinaturas que os datam de Madrid em 1775, por José Salvador Carmona. As esculturas são posteriores à morte de Pedro Martínez Feijóo, primeiro conde de Troncoso, em 1768; a encomenda deve distinguir-se do seu patronato paroquial anterior. As obras pertencem à história mais ampla do patronato das casas da paisagem vinícola.

  • Santa María: abside medieval, pinturas por volta de 1560, reconstrução em 1763
  • Astariz: esculturas assinadas por José Salvador Carmona, 1775
  • 1816: Antonio Araújo como dono de Cavadiña na história municipal
Concello de Castrelo de Miño
A Grande Transformação·1945–1969

Sinos, protesto e um vale submerso

Cena imaginada: construção de uma barragem do século XX e famílias locais a observar a transformação do vale
Ilustração histórica · Cena imaginada

A albufeira começou como um projeto de engenharia e tornou-se uma luta pelo futuro do vale. Em 1945 abriu-se o processo de utilidade pública; a autorização chegou em 1960. As terras férteis afetadas incluíam vinhas, pomares, hortas e prados. Perdê-las significava perder trabalho e rendimento doméstico, além de lugares da memória familiar.

A 30 de junho de 1966, os sinos de Barral deram o alarme quando apareceram os topógrafos. O historiador Julio Prada relata como mulheres e homens enfrentaram as obras, com um papel destacado das mulheres no incêndio dos barracões. As reivindicações sobre indemnizações e sustento receberam depois o apoio de opositores ao franquismo, advogados e intelectuais. Os participantes não deram todos o mesmo significado político ao protesto.

O acordo de 1967 precedeu a inundação, mas um anúncio do BOE de 8 de maio de 1968 ainda ordenava procedimentos de ocupação urgente de parcelas. O vale foi inundado em novembro de 1968; a inauguração chegou em 1969. Campos e antigos banhos desapareceram debaixo de água. A atividade náutica deu depois outra vida à albufeira, enquanto o protesto entrou na memória pública da Galiza.

  • 30 de junho de 1966: os sinos de Barral reúnem os habitantes
  • Maio de 1968: o BOE publica procedimentos de ocupação urgente
  • Novembro de 1968: inundação; 1969: inauguração
Julio Prada — Consello da Cultura Galega, 2026
Águas Curativas·1772 — A albufeira

Água quente debaixo da albufeira

Cena imaginada: piscinas simples de pedra junto a águas termais naturais num vale fluvial do interior
Ilustração histórica · Cena imaginada

Antes da barragem, a água quente acrescentava outro ritmo à margem. Em 1772, o médico Pedro Gómez de Bedoya descreveu os banhos de Puente Castrelo no seu estudo das fontes galegas. Descrições posteriores recordam tanques e a mistura da água termal com a do rio. Os banhos atraíam visitantes às aldeias e faziam parte da sua modesta economia local.

O estudo histórico e de campo de Jessica Silvares de Dios, apresentado em 2017, recuperou descrições, memórias dos habitantes e vestígios materiais, entre eles dois tanques de banho em Santa María. A albufeira submergiu aquela paisagem, cujos vestígios podem depender do nível da água. A sua história perdura no encontro entre essas pequenas estruturas, os documentos e as memórias de quem conheceu os banhos antes da transformação do vale.

  • 1772: Bedoya descreve os banhos de Puente Castrelo
  • 2017: Jessica Silvares apresenta o estudo histórico e de campo
Jessica Silvares de Dios — Simposio Termalismo e Calidade de Vida, 2017
Hoje·Atualidade

Novos usos, memória viva

Cena imaginada: adega contemporânea junto ao rio e encontro ao ar livre
Ilustração histórica · Cena imaginada

O parque náutico dá ao Castrelo atual um novo lugar de encontro junto à água. As instalações desportivas e os espaços culturais trazem atividade a uma albufeira cuja origem continua presente na memória local. Nas encostas prossegue o trabalho da vinha; dentro das aldeias, igrejas, adegas e casas herdadas sustentam outra continuidade mais pausada.

As escavações de Santa Lucía iniciadas em 2016 acrescentaram uma nova maneira de olhar este território familiar. Um lagar romano, uma abside medieval, uma ponte e uma barragem do século XX contam capítulos diferentes. Juntos mostram um Castrelo cuja paisagem mudou muitas vezes e onde os habitantes continuam a dar novos usos a lugares antigos.

  • Atividade náutica e espaços culturais junto à albufeira
  • Escavações e vinha renovam a relação com o território
Concello de Castrelo de Miño — Complexo Parque Náutico

Património

Sítios arqueológicos, igrejas paroquiais e casas grandes ligam a paisagem do Miño às comunidades que aqui viveram e trabalharam.

Igreja de Santa María

Religioso
Abside românica, pinturas renascentistas e reconstrução barroca de 1763

Castro de Santa Lucía

Arqueológico
Escavado desde 2016; lagar romano com uso seguro no século II d.C.

Igreja de Astariz

Religioso
Igreja paroquial barroca com esculturas assinadas de José Salvador Carmona, 1775

Mámoas da Veiga de Arriba

Arqueológico
Necrópole megalítica de cinco mámoas junto a Reigoso

Casa de Troncoso

Civil
Casa grande histórica em Astariz, na paisagem senhorial de Castrelo

Casa da Capela

Civil
Casa senhorial histórica na paróquia de Barral

Albufeira de Castrelo

Civil
Enchido em 1968 e inaugurado em 1969; hoje espaço de atividade náutica

Águas termais

Civil
Antigos banhos de Santa María submersos pela albufeira

Petróglifos de Reigoso

Arqueológico
Gravuras rupestres com covinhas e motivos geométricos

Igreja de Prado de Miño

Religioso
Igreja paroquial que conserva património arquitetónico medieval

Datas-Chave

  1. Pré-história

    Mámoas, petróglifos de Reigoso e castros testemunham comunidades antigas
  2. Século II d.C.

    A investigação arqueológica documenta com segurança o uso do lagar de Santa Lucía
  3. 929

    A história municipal situa a sepultura de Sancho Ordóñez no mosteiro
  4. 947

    Ramiro II concede bens a Goto e ao mosteiro
  5. 964

    A história municipal identifica Goto como abadessa
  6. 1111 /1121

    A Historia Compostelana relata conflitos e prisões de Gelmírez em Castrelo
  7. c. 1560

    Pinturas renascentistas decoram Santa María
  8. 1763

    Santa María é reconstruída em estilo barroco
  9. 1772

    Bedoya descreve os banhos de Puente Castrelo
  10. 1775

    José Salvador Carmona assina as esculturas de Astariz em Madrid
  11. 1816

    Antonio Araújo figura como dono de Cavadiña
  12. Antes de 1907

    Após a perda da ponte antiga, barcas transportam viajantes através do Miño
  13. 1907

    A ponte moderna de ferro oferece uma travessia permanente do Miño
  14. 1945 /1960

    Processo de utilidade pública da barragem em 1945; declaração em 1960
  15. 30 de junho de 1966

    Os sinos de Barral chamam os habitantes contra as obras da barragem
  16. 1968 /1969

    Inundação em novembro de 1968; inauguração da albufeira em 1969
  17. 2016

    Começa a primeira campanha de escavação de Santa Lucía
  18. Hoje

    Vinhas, vida paroquial e atividade náutica formam o Castrelo atual

Castrelo de Miño · Paróquias junto ao rio

Fontes e leituras

O Ribeiro · Avia · Miño · Arnoia

Comece pelo lugar. Siga as pessoas.

Os vales do Avia, Miño e Arnoia são o fio deste guia. Leia a história regional, explore as casas e os apelidos e abra a árvore para ver as relações apoiadas por documentos.