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Casas e poder

Lemos · Sarria · Galiza

Casa de Castro

Os Castro e os condes de Lemos mostram o alcance das grandes casas galegas. Terras, casamentos e lealdades régias ligam a sua história entre regiões.

Galicia · O RibeiroA região
7Capítulos
2Fontes e leituras
Ilustração interpretativa: casa fortificada medieval galega, viajantes rurais e colinas cultivadas
Ilustração histórica · Cena imaginada
Por que importa aquiCastro · Poder na Galiza

Os Castro e os condes de Lemos oferecem uma comparação galega para os senhores de Ribadavia. Os seus patrimónios, casamentos e lealdades atravessavam regiões. Os arquivos distinguem ramos e titulares concretos; o apelido toponímico Castro não identifica, por si só, essa linhagem nobre.

Brasão dos Castro: seis arruelas azuis em campo de prata

As Armas

Seis arruelas de azul sobre prata, dispostas em três pares: as armas conhecidas dos Castro galegos.

A Linhagem·Séculos XII — XIV

De Castrojeriz aos Senhores da Galiza

Ilustração interpretativa: nobre galego a cavalo, evocando a linhagem medieval dos Castro
Ilustração histórica · Cena imaginada

A casa medieval de Castro tomou o nome de Castrojeriz, em Burgos, e ganhou grande poder nas cortes castelhana e leonesa. A sua rivalidade com os Lara marcou a menoridade de Afonso VIII no século XII. O apelido nasceu também, de forma independente, em numerosos lugares chamados Castro, do latim castrum, recinto fortificado; esta casa nobre constitui uma história concreta dentro de um nome muito mais difundido.

A ligação familiar ao Ribeiro está documentada antes do seu protagonismo no século XIV. Fernando Gutiérrez de Castro teve a tenência régia de Ribadavia em 1205, 1228 e 1231; o filho Andrés aparece ali em 1251–1254. Uma tenência era autoridade exercida por delegação da coroa, distinta do senhorio hereditário posterior dos Sarmiento. A base galega dos Castro abrangia Lemos e Sarria, e o casamento de Esteban Fernández de Castro com Aldonza Rodríguez de León, neta de Afonso IX, reforçou os seus vínculos régios. Monforte de Lemos tornou-se a sua sede mais conhecida.

  • Castrojeriz, Burgos: solar castelhano da casa medieval.
  • Ribadavia: tenência de Fernando Gutiérrez documentada em 1205, 1228 e 1231; de Andrés em 1251–1254.
  • Lemos e Sarria: territórios principais do ramo galego.
  • Aldonza Rodríguez de León: neta de Afonso IX e mulher de Esteban Fernández de Castro.
Jaime de Salazar y Acha · El poder del linaje (RAH/BOE, 2024), pp. 415–418
Os Homens do Rei·Séculos XIII — XIV

Adelantados, Pertigueros e as Esporas de Ouro do Sultão

Ilustração interpretativa: família nobre ibérica a atravessar um vale rural em direção a uma casa senhorial de granito
Ilustração histórica · Cena imaginada

Esteban Fernández de Castro ocupou os cargos de adelantado mayor da Galiza e pertiguero mayor de Santiago. O primeiro dizia respeito ao governo e à justiça régios; o segundo à autoridade militar nas terras temporais da Igreja compostelana. Eram cargos em jurisdições sobrepostas, não a propriedade de um reino galego indiviso. Toroño, no sul da Galiza em torno de Tui, também não equivale a todo o Ribeiro.

O seu neto Pedro Fernández de Castro, el de la Guerra, foi um grande nobre e militar do século XIV ao serviço de Afonso XI. Depois da morte do pai em Monforte em 1304, passou os primeiros anos em Portugal e mais tarde recuperou a posição familiar na Galiza. Combateu no Salado em 1340 e morreu durante o cerco de Algeciras em 1343. O famoso relato das esporas de ouro do sultão merínida pertence à sua reputação guerreira; a sepultura em Santiago liga-a a um monumento duradouro.

  • Adelantado: cargo administrativo e judicial régio.
  • Pertiguero: autoridade militar nos domínios temporais compostelanos.
  • Pedro Fernández de Castro: militar do século XIV, falecido em 1343.
  • Toroño e o Ribeiro eram territórios históricos diferentes.
Jaime de Salazar y Acha · El poder del linaje (RAH/BOE, 2024), pp. 417–418
A Rainha Morta·1340 — 1360

Inês de Castro: política dinástica e memória

Ilustração interpretativa: morte de Inês de Castro, com homens armados a aproximarem-se de uma mulher num claustro
Ilustração histórica · Cena imaginada

Pedro Fernández de Castro "el de la Guerra" gerou quatro filhos que viriam a moldar a história de dois reinos. Da sua esposa Isabel Ponce de León, teve Fernando — que se tornaria um destacado senhor Castro na Galiza — e Juana, que casou com Pedro I de Castela. Da sua amante, uma fidalga portuguesa chamada Aldonça Lourenço de Valladares, teve Álvaro — que viria a ser Condestável de Portugal — e Inês.

Inês de Castro chegou à corte portuguesa por volta de 1340 como dama de companhia de Constança de Castela, esposa do príncipe Pedro, herdeiro do trono português. Pedro apaixonou-se pela fidalga galega. A relação perdurou para além da morte de Constança em 1345, dela nascendo quatro filhos, e arrastou a família Castro — através dos irmãos de Inês, Fernando e Álvaro — perigosamente para o âmago da política cortesã portuguesa. O rei Afonso IV, temendo que o clã dos Castro arrastasse Portugal para a crise de sucessão castelhana, ordenou que matassem Inês. A 7 de janeiro de 1355, três cortesãos assassinaram-na em Coimbra, onde tinha vivido perto de Santa Clara.

Pedro tornou-se rei em 1357. A 18 de junho de 1360 declarou solenemente que ele e Inês se tinham casado em segredo em 1354, afirmando a legitimidade dos filhos. A declaração conserva-se no Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Documenta a afirmação do rei, sem comprovar a lenda posterior do cadáver coroado. Os seus túmulos esculpidos em Alcobaça, hoje frente a frente nos braços do transepto, conservam a comemoração régia. Camões e outros escritores deram à tragédia uma segunda vida para além do contexto dinástico.

  • Inês de Castro (c. 1325–1355): filha natural de Pedro Fernández de Castro "el de la Guerra" e de Aldonça Lourenço de Valladares
  • Assassinada por ordem de Afonso IV de Portugal em Coimbra, 7 de janeiro de 1355
  • Coroação póstuma: reza a lenda que Pedro I mandou exumar e coroar o seu cadáver — a história que inspirou La Reine Morte de Montherlant e Os Lusíadas de Camões
  • Alcobaça: os túmulos do século XIV estão hoje frente a frente nos braços do transepto.
  • Agora é tarde; Inês é morta: o provérbio português nascido da sua história
Arquivo Nacional da Torre do Tombo · PT/TT/GAV/15/20/10 (18 June 1360)
O Leal·1354 — 1369

Fernando de Castro: Toda a Lealdade de Espanha

Ilustração interpretativa: vila fortificada sob ataque durante a guerra civil castelhana
Ilustração histórica · Cena imaginada

Fernando Ruiz de Castro, filho de Pedro Fernández de Castro, foi um dos principais partidários de Pedro I na guerra civil castelhana. Os seus cargos e senhorios ligavam Lemos, Sarria e as terras compostelanas à disputa pela coroa. A fidelidade não foi invariável: o abandono da irmã Juana por Pedro depois do casamento de 1354 contribuiu para uma ruptura temporária antes do regresso ao partido régio.

Depois da morte de Pedro I em Montiel em março de 1369, a resistência continuou na Galiza. Fernando aliou-se a Fernando I de Portugal, cuja pretensão ao trono castelhano ofereceu um novo patrono régio ao partido derrotado. Vilas, nobres e instituições eclesiásticas tomaram decisões diferentes; a Galiza não era um Estado unido que rejeitasse unanimemente Enrique II. A continuação da guerra explica o valor político das doações posteriores aos Sarmiento e Biedma.

A frase toda la lealtad de España, tradicionalmente ligada ao seu túmulo em Baiona, resume a memória desse compromisso. É um juízo comemorativo, não uma razão para reduzir a guerra a galegos virtuosos contra recém-chegados estrangeiros.

  • Fernando Ruiz de Castro: grande partidário petrista, morreu exilado em 1377.
  • 1354: casamento de Pedro I com Juana de Castro e posterior abandono.
  • 1369: Pedro I morre em Montiel; a resistência continua com apoio português.
  • Epitáfio tradicional: toda la lealtad de España.
Anselmo López Carreira · Limite 11.2 (2017), pp. 20–26
A Derrota·1370 — 1377

Porto de Bois e a redistribuição do senhorio

Ilustração interpretativa: batalha que evoca a derrota dos Castro em Porto de Bois em 1371
Ilustração histórica · Cena imaginada

Enrique II nomeou Pedro Ruiz Sarmiento adelantado mayor da Galiza em 1370. As campanhas contra Fernando de Castro culminaram na derrota de Porto de Bois, perto de Palas de Rei, em 1371. Foi decisiva para a resistência petrista restante. Não repetiu a morte familiar de Monforte em 1304: eram lugares e gerações diferentes.

Os acordos com Portugal e as mudanças nas relações anglo-castelhanas limitaram as opções de Fernando. Acabou em Baiona, sob controlo inglês, onde morreu em 1377. O exílio encerrou esta etapa do poder Castro, mas não extinguiu todos os ramos; gerações posteriores de Castro-Osorio voltaram a deter grandes títulos galegos.

A coroa redistribuiu cargos e senhorios específicos entre os seus partidários. Sarmiento recebeu Ribadavia em 1375, enquanto outras mercês favoreceram Biedma e Andrade. Cada transmissão teve data e território próprios. Para o Ribeiro, esta história explica a ascensão do solar Sarmiento junto de direitos monásticos, municipais e das ordens militares que continuaram a existir.

  • 1370: Sarmiento, adelantado mayor da Galiza.
  • 1371: derrota em Porto de Bois, perto de Palas de Rei.
  • 1375: doação de Ribadavia a Sarmiento.
  • 1377: Fernando de Castro morre em Baiona; outros ramos Castro continuam.
Anselmo López Carreira · Limite 11.2 (2017), pp. 24–26
O Fantasma·Século X — Presente

Castrelo de Miño: mosteiro régio numa paisagem fortificada

Ilustração interpretativa: paisagem de uma igreja rural, vinhas e o vale do Miño
Ilustração histórica · Cena imaginada

O alto de Santa María de Castrelo de Miño tem uma história anterior à casa nobre de Castro. Castrelo é diminutivo de castro, lugar fortificado; a semelhança não identifica a paróquia como fundação ou propriedade dessa linhagem. A arqueologia e os documentos monásticos pertencem por si mesmos à história local.

Sancho Ordóñez, rei na Galiza entre 926 e 929, liga-se ao mosteiro e à sua tradição funerária. A viúva Goto Muñoz tomou o hábito e surge como abadessa no século X. Foi um de vários reis medievais que governaram a Galiza, não o primeiro ou último rei independente. Sancho I de Leão morreu em 966: o envenenamento ligado ao conde Gonzalo Menéndez pertence à tradição cronística e não deve tornar-se um assassínio comprovado em 969.

Junto de Ribadavia e Cartelle, Castrelo ajuda a compreender uma paisagem de passagens fluviais, mosteiros, castelos e direitos paroquiais. A ligação posterior aos hospitalários acrescenta outra instituição. Os lugares partilhavam caminhos e intercâmbios, mas conservavam jurisdições e cronologias distintas.

  • Castrelo: topónimo ligado a uma fortificação, independente do apelido nobre.
  • Sancho Ordóñez: rei na Galiza, 926–929.
  • Goto Muñoz: viúva régia e abadessa na tradição monástica do século X.
  • Sancho I de Leão: morreu em 966; o envenenamento provém das crónicas.
Real Academia de la Historia — Sancho Ordóñez
As Armas·Heráldica

Seis Arruelas em Campo de Prata

Seis roéis azuis sobre prata, dispostos em três pares, formam o motivo recorrente dos Castro. Brasões posteriores combinam-no com armas de outras casas, incluindo os lobos Osorio. Inscrições, datas e história do edifício ajudam a identificar a casa representada.

Um exemplo documentado conserva-se em Bujalance, Córdoba. A ficha do Instituto Andaluz del Patrimonio Histórico de um brasão Luna–Castro–Córdoba identifica o quartel Castro por esses seis roéis azuis. Este objeto fora da Galiza confirma um motivo heráldico; identificar o proprietário e a genealogia de uma escultura galega exige provas do monumento e da casa em questão.

  • Armas: seis arruelas de azul (roeles de azur) em campo de prata (argent), dispostas 2-2-2
  • Esquartelamento Castro-Osorio: a combinação posterior com os lobos dos Osorio (lobos pasantes) após a fusão das famílias através do Condado de Lemos
  • O Condado de Lemos: o título principal dos Castros, transmitido aos Osorios e depois à Casa de Alba
Instituto Andaluz del Patrimonio Histórico · Escudos de los Luna Castro · 10/0045332

Figuras-chave

Senhores, rainhas e exilados da Casa de Castro

Esteban Fernández de Castro

m. c. 1290
Senhor destacado do ramo galego no século XIII. Serviu como Adelantado Mayor sob Afonso X e Pertiguero Mayor de Santiago. Casou com Aldonza Rodríguez de León, neta de Afonso IX.

Pedro Fernández de Castro

c. 1295–1343
Militar do século XIV com Afonso XI; combateu no Salado em 1340 e morreu no cerco de Algeciras em 1343. Sepultado em Santiago; o relato das esporas pertence à sua fama guerreira.

Inês de Castro

c. 1325–1355
Filha de Pedro Fernández de Castro e Aldonça Lourenço de Valladares, e companheira de Pedro I de Portugal. Depois da morte de Inês, Pedro declarou que se tinham casado em segredo. O seu túmulo em Alcobaça e as obras de Camões e autores posteriores preservam a sua memória.

Fernando Ruiz de Castro

c. 1338–1377
Grande partidário de Pedro I; resistiu depois de Montiel com apoio português. Derrotado em Porto de Bois em 1371, morreu exilado em Baiona em 1377. Outros ramos Castro continuaram.

Juana de Castro

m. 1374
Filha de Pedro Fernández de Castro. Casou com Pedro I de Castela em 1354, abandonada no dia seguinte. Sepultada na Catedral de Santiago de Compostela.

Álvaro Pires de Castro

m. 1384
Irmão de Inês e meio-irmão de Fernando, foi conde de Arraiolos e condestável de Portugal. A sua carreira liga a família Castro à corte portuguesa e ao ramo português da casa.

Sancho Ordóñez

c. 895–929
Ligado ao mosteiro e tradição funerária de Castrelo. O topónimo corresponde a um lugar fortificado, independentemente da casa nobre Castro posterior.

Datas-chave

  1. c. 1100

    O Conde Fernando García de Hita, o primeiro membro identificável da casa, serve como parente e vassalo da Rainha Urraca de Leão e Castela.
  2. séc. XII

    A rivalidade Castro-Lara domina a política castelhana durante a menoridade de Afonso VIII. A casa inicia a sua expansão para ocidente, rumo à Galiza.
  3. c. 1260–1290

    Esteban Fernández de Castro serve como Adelantado Mayor de Galicia e Pertiguero Mayor de Santiago. Os seus domínios incluem Lemos, Sarria, Valladares, Caldelas e possessões na Tierra de Toroño.
  4. 1304

    Fernando Rodríguez de Castro morre em combate em Monforte de Lemos, a lutar contra forças reais. O seu filho Pedro é enviado ainda criança para a corte portuguesa.
  5. c. 1320–1332

    Pedro Fernández de Castro recupera uma posição destacada com Afonso XI; o serviço como mordomo-mor régio está documentado desde 1332.
  6. 1336–1343

    Pedro Fernández de Castro constrói a fortaleza de Castro Caldelas, datada de 1336–1343 pelo guia patrimonial galego.
  7. 1340

    Pedro Fernández de Castro combate no Salado. O relato das esporas de ouro integra a memória da carreira guerreira.
  8. 1343

    Pedro Fernández de Castro morre durante a epidemia do cerco de Algeciras em junho de 1343; é sepultado em Santiago de Compostela.
  9. 1355

    Inês de Castro assassinada em Coimbra por ordem de Afonso IV de Portugal (7 de janeiro).
  10. 1354–1366

    Fernando Ruiz de Castro ascende como principal apoiante de Pedro I. Recebe os condados de Lemos, Trastámara e Sarria.
  11. 1369

    Pedro I morre em Montiel. A resistência continua na Galiza pela aliança de Fernando de Castro com Fernando I de Portugal.
  12. 1371

    A derrota de Porto de Bois enfraquece a coligação petrista. Fernando de Castro retira-se para Portugal antes do exílio final em Baiona.
  13. 1375

    Enrique II concede Ribadavia a Pedro Ruiz Sarmiento. É um senhorio datado numa redistribuição ampla, não todos os territórios Castro.
  14. 1377

    Fernando Ruiz de Castro morre no exílio em Bayonne. "Aqui jaz toda a lealdade de Espanha."
  15. séc. XV–XVI

    O nome Castro sobrevive através da linha Castro-Osorio, Condes de Lemos, que se tornam a principal casa nobre da Galiza na época moderna.
  16. séc. XVIII

    Heranças posteriores levam o título de Lemos a outras casas. O nome e memória heráldica Castro continuam para além do ramo principal medieval.

Castro · Poder na Galiza

Fontes e leituras

O Ribeiro · Avia · Miño · Arnoia

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