Gallaecia · Ourense · Galicia
Castros e galaicos
Acima dos vales fluviais, os povoados fortificados revelam comunidades anteriores e contemporâneas ao domínio romano. Comece por Castromao e San Cibrao de Las.

Os galaicos e os seus povoados fortificados

O nome galaicos chega-nos através de autores antigos e da administração romana. Descreve um mundo de comunidades locais, não uma nação com os limites da Galiza atual. Povoados fortificados, metalurgia e objetos de troca oferecem uma imagem mais detalhada dos seus habitantes. Os elementos linguísticos celtas pertencem a este debate, a par das diferenças regionais.
Castromao, perto de Celanova, oferece uma ligação tangível: uma placa de bronze regista um pacto de hospitalidade entre os Coelerni e um oficial romano no ano 132. San Cibrao de Las, em San Amaro e Punxín, mostra um grande povoado fortificado na transição para o domínio romano. Estes lugares ajudam a imaginar a paisagem anterior aos documentos paroquiais e notariais das nossas famílias.
- Castromao · Celanova · Placa dos Coelerni, ano 132.
- San Cibrao de Las · San Amaro e Punxín.
- A arqueologia regional situa a história familiar posterior.
Comunidades nomeadas na pedra
As inscrições romanas permitem conhecer comunidades concretas da paisagem antiga. Em Castromao, perto de Celanova, uma placa de bronze de 132 nomeia os Coelerni e regista o seu pacto de hospitalidade com Gneu António Aquilo, prefeito da primeira coorte de Celtiberos. O acordo incluía os descendentes de ambas as partes e destinava-se a exposição pública. Mostra uma comunidade local a estabelecer uma relação formal com o poder romano.
Outros nomes antigos, como os Querquerni da Baixa Limia e os Limici da bacia do Lima, situam o sul da Gallaecia. Estas comunidades pertenciam ao distrito romano de Braga. Os seus territórios orientam a história de Ourense, mas não permitem atribuir automaticamente as aldeias posteriores do arquivo familiar a um único povo antigo.
- Castromao · Celanova · Coelerni.
- A placa data o pacto de 132.
- O oficial comandava uma coorte de Celtiberos, não o acampamento de Bande.
Castros, topónimos e língua

Os topónimos conservam várias camadas linguísticas. Castrelo pertence à família latina de castrum e castellum, termos de fortificação. Um nome ligado a um forte não é, só por si, uma palavra celta nem demonstra população ininterrupta.
Os castros de Ourense e do Ribeiro oferecem provas arqueológicas de povoamento. San Cibrao de Las estende-se por San Amaro e Punxín; Castromao fica perto de Celanova. As localizações situam as comunidades antigas junto das nossas aldeias posteriores, sem converter limites municipais atuais em fronteiras tribais.
- Castrelo tem uma origem linguística latina.
- San Cibrao de Las: San Amaro e Punxín.
- Povoados antigos, topónimos posteriores e genealogia documentada são provas distintas.
A vida dentro dos castros

Um castro era um povoado, não apenas uma fortaleza militar. Dentro das muralhas e fossos havia casas, lareiras, armazéns e espaços de trabalho. Os locais elevados permitiam observar caminhos e terras agrícolas, enquanto os habitantes dependiam dos campos e pastagens próximos. As construções circulares são conhecidas, mas os povoados escavados apresentam também outras plantas e fases de reconstrução.
O vale do Minho conserva exemplos próximos em Santa Lucía de Astariz e na zona de Castrelo de Miño. O castro de Trelle, na área de Toén e Barbadás, é outro vizinho importante de Cartelle. A notícia da Xunta sobre a campanha de 2025 descreve a continuação das sondagens de 2024. A investigação permite estudar edifícios e defesas sem apresentar uma escavação inicial como uma reconstrução completa do povoado.
- Os castros reuniam vida doméstica, produção e defesa.
- Santa Lucía · Astariz · Castrelo de Miño.
- A escavação de Trelle de 2025 continuou as sondagens de 2024.
Ler a paisagem arqueológica

Em Santa Lucía de Astariz, os edifícios escavados e um lagar rupestre ligam a paisagem castreja à agricultura romana. O estudo de 2024 da equipa de escavação situa a construção do lagar no final do século I, com uso seguro no II e possível continuidade no III. A prensagem terminou no final do III ou início do IV, enquanto o local continuou ocupado na Antiguidade tardia. A sequência importa porque um mesmo sítio conserva histórias diferentes.
San Cibrao de Las, entre San Amaro e Punxín, é um grande povoado fortificado com muralhas, ruas e recintos domésticos. Castromao oferece a placa de 132 e Santomé, perto de Ourense, conserva ocupações castrejas e romanas. Em conjunto, mostram modos de vida em mudança, em vez de uma sociedade antiga inalterada.
- Lagar de Santa Lucía: construído no final do século I.
- Placa de Castromao: um acordo datado de 132.
- Santomé conserva diferentes fases de ocupação.
Nascentes, oferendas e deuses locais

As aras de pedra oferecem algumas das provas mais claras da vida religiosa antiga de Ourense. As dedicatórias conservam nomes de deuses indígenas na língua e nas formas do culto romano. Nas Burgas, inscrições a Revve Anabaraego e às Ninfas ligam as nascentes termais a oferendas e práticas religiosas. São testemunhos identificáveis, não uma religião reconstruída a partir do folclore moderno.
Uma nascente podia ser útil, reparadora e sagrada ao mesmo tempo. O contexto arqueológico ajuda a compreender a importância da água para quem aqui se estabeleceu. As histórias posteriores sobre fontes santas, carvalhais ou santos também pertencem à cultura regional, mas precisam das suas próprias provas datadas para serem relacionadas com um culto antigo.
- As Burgas: dedicatórias a Revve Anabaraego e às Ninfas.
- As inscrições latinas conservam nomes divinos indígenas.
- As tradições posteriores têm as suas próprias histórias.
Paisagens antigas, tradições vivas

A música tradicional dá voz à paisagem galega. Gaitas, pandeiretas, sanfonas e tambores acompanham cantos e danças como a muiñeira. O Museo do Pobo Galego apresenta estes instrumentos ao lado de acrescentos posteriores, como o acordeão e o violino. As coleções mostram tradições aprendidas, adaptadas e transmitidas entre gerações.
O arquivo oral do museu acrescenta lugares, datas e informantes identificados a esta história. As gravações aproximam o mundo de gerações familiares recentes, enquanto a arqueologia explica os castros muito mais antigos. Os festivais celtas modernos e as trocas culturais atlânticas exprimem identidade regional; cada canto ou costume exige a sua própria história, sem presumir sobrevivência intacta desde a Idade do Ferro.
- A música acompanha trabalho, festas e vida familiar.
- Os arquivos orais registam intérpretes, lugares e datas.
- As tradições vivas mudam ao serem transmitidas.
Património
Povoados, objetos e museus para conhecer a Idade do Ferro no Ribeiro e em Ourense.
Cidade de San Cibrán de Lás
CastroCastromao (Coeliobriga)
CastroCastro de Santa Lucía
CastroCastro de Santomé
CastroCastro de Las Cavadas
CastroCastro de Macendo
CastroCastro de Trelle
CastroAquis Querquennis
CastroPetroglyphs of Reigoso
ArtefatoTabula Hospitalitatis
ArtefatoOurense Gold Torcs
ArtefatoTriskelion of Castromao
ArtefatoMuseo Arqueolóxico de Ourense
MuseuPACC Lansbrica
MuseuDatas-Chave
Pré-história
As mamoas megalíticas fazem parte da paisagem pré-histórica da Galiza interior.Pré-história
As gravuras rupestres de Reigoso, em Castrelo de Miño, acrescentam outra camada à paisagem pré-histórica.Idade do Ferro
Os povoados fortificados difundem-se pelo noroeste durante o primeiro milénio a. C., com diferenças locais de data e forma.Primeiro milénio a. C.
Castromao desenvolve-se em sucessivas fases de ocupação; a sua placa romana posterior nomeia os Coelerni.Final da Idade do Ferro
San Cibrao de Las desenvolve-se como um importante povoado fortificado, ocupado também em época romana.137 a.C.
Décimo Júnio Bruto avança de forma implacável contra os clãs galaicos, gloriando-se eternamente do seu célebre cognome "Galaico"29–19 a.C.
As guerras cantábrico-astures completam a conquista romana do norte peninsular.132 d.C.
A placa de hospitalidade de Castromao regista o pacto dos Coelerni com Gneu António Aquilo.Séc. II d.C.
Uso seguro do lagar rupestre romano do Castro de Santa Lucía, segundo o estudo arqueológico de 2024; a continuidade no século III é possívelÉpoca romana
Castromao e Santomé mudam durante a época romana; as suas sequências escavadas não partilham uma única data de abandono.Anos 1920
As primeiras escavações de San Cibrao de Las começam a revelar muralhas, ruas e casas.1969
Trazido magnanimamente da penumbra perante o sol do século XX, desenterram o aclamado Castro de Santomé (Ourense), abraçando uma ressurreição sistemática arqueológica iniciada somente pelo idílico horizonte de 19831970
Descobre-se a placa de hospitalidade de Castromao, com o nome dos Coelerni e um pacto datado de 132.2014
Abre ao público o centro de interpretação dos castros em San Cibrao de Las.2016
A Universidade de Vigo inicia as campanhas de escavação de Santa Lucía em Castrelo de Miño, depois publicadas com o lagar romano e outros achados.2024
As sondagens arqueológicas de Trelle investigam as estruturas defensivas do castro.2025
Uma nova campanha em Trelle continua o estudo e a conservação do sítio.
A terra garda nos seus castros a memoria das antigas comunidades.
A terra guarda nos seus castros a memória das antigas comunidades.
Castros e galaicos
Fontes e leituras
O Ribeiro · Avia · Miño · Arnoia
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Os vales do Avia, Miño e Arnoia são o fio deste guia. Leia a história regional, explore as casas e os apelidos e abra a árvore para ver as relações apoiadas por documentos.