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Povos e encontros

Gallaecia · Ourense · Galicia

Castros e galaicos

Acima dos vales fluviais, os povoados fortificados revelam comunidades anteriores e contemporâneas ao domínio romano. Comece por Castromao e San Cibrao de Las.

Galicia · O RibeiroA região
7Capítulos
2Fontes e leituras
Ilustração interpretativa: panorama de um pequeno povoado da Idade do Ferro num vale arborizado
Ilustração histórica · Cena imaginada
Por que importa aquiCastros e galaicos

O pacto de bronze de Castromao nomeia os Coelerni em 132; muralhas, ruas e casas de San Cibrao de Las mostram outra grande comunidade. Com Trelle e Santa Lucía, estes lugares revelam a paisagem antiga de Ourense.

O Povo·Idade do Ferro e época romana

Os galaicos e os seus povoados fortificados

Ilustração interpretativa: famílias e trabalho quotidiano num castro da Idade do Ferro
Ilustração histórica · Cena imaginada

O nome galaicos chega-nos através de autores antigos e da administração romana. Descreve um mundo de comunidades locais, não uma nação com os limites da Galiza atual. Povoados fortificados, metalurgia e objetos de troca oferecem uma imagem mais detalhada dos seus habitantes. Os elementos linguísticos celtas pertencem a este debate, a par das diferenças regionais.

Castromao, perto de Celanova, oferece uma ligação tangível: uma placa de bronze regista um pacto de hospitalidade entre os Coelerni e um oficial romano no ano 132. San Cibrao de Las, em San Amaro e Punxín, mostra um grande povoado fortificado na transição para o domínio romano. Estes lugares ajudam a imaginar a paisagem anterior aos documentos paroquiais e notariais das nossas famílias.

  • Castromao · Celanova · Placa dos Coelerni, ano 132.
  • San Cibrao de Las · San Amaro e Punxín.
  • A arqueologia regional situa a história familiar posterior.
Museo Arqueolóxico de Ourense · Tabula de Castromao (132 d.C.)
As Tribos·Coelernos, Querquernos e os Povos de Ourense

Comunidades nomeadas na pedra

As inscrições romanas permitem conhecer comunidades concretas da paisagem antiga. Em Castromao, perto de Celanova, uma placa de bronze de 132 nomeia os Coelerni e regista o seu pacto de hospitalidade com Gneu António Aquilo, prefeito da primeira coorte de Celtiberos. O acordo incluía os descendentes de ambas as partes e destinava-se a exposição pública. Mostra uma comunidade local a estabelecer uma relação formal com o poder romano.

Outros nomes antigos, como os Querquerni da Baixa Limia e os Limici da bacia do Lima, situam o sul da Gallaecia. Estas comunidades pertenciam ao distrito romano de Braga. Os seus territórios orientam a história de Ourense, mas não permitem atribuir automaticamente as aldeias posteriores do arquivo familiar a um único povo antigo.

  • Castromao · Celanova · Coelerni.
  • A placa data o pacto de 132.
  • O oficial comandava uma coorte de Celtiberos, não o acampamento de Bande.
Museo Arqueolóxico de Ourense · Tabula de Castromao
A Terra·As línguas da paisagem

Castros, topónimos e língua

Ilustração interpretativa: paisagem de vales fluviais galegos arborizados e pequenas habitações antigas
Ilustração histórica · Cena imaginada

Os topónimos conservam várias camadas linguísticas. Castrelo pertence à família latina de castrum e castellum, termos de fortificação. Um nome ligado a um forte não é, só por si, uma palavra celta nem demonstra população ininterrupta.

Os castros de Ourense e do Ribeiro oferecem provas arqueológicas de povoamento. San Cibrao de Las estende-se por San Amaro e Punxín; Castromao fica perto de Celanova. As localizações situam as comunidades antigas junto das nossas aldeias posteriores, sem converter limites municipais atuais em fronteiras tribais.

  • Castrelo tem uma origem linguística latina.
  • San Cibrao de Las: San Amaro e Punxín.
  • Povoados antigos, topónimos posteriores e genealogia documentada são provas distintas.
Turismo Ourense · San Cibrao de Las
Os Castros·Povoados Fortificados do Ribeiro

A vida dentro dos castros

Ilustração interpretativa: pequeno povoado irregular da Idade do Ferro numa encosta
Ilustração histórica · Cena imaginada

Um castro era um povoado, não apenas uma fortaleza militar. Dentro das muralhas e fossos havia casas, lareiras, armazéns e espaços de trabalho. Os locais elevados permitiam observar caminhos e terras agrícolas, enquanto os habitantes dependiam dos campos e pastagens próximos. As construções circulares são conhecidas, mas os povoados escavados apresentam também outras plantas e fases de reconstrução.

O vale do Minho conserva exemplos próximos em Santa Lucía de Astariz e na zona de Castrelo de Miño. O castro de Trelle, na área de Toén e Barbadás, é outro vizinho importante de Cartelle. A notícia da Xunta sobre a campanha de 2025 descreve a continuação das sondagens de 2024. A investigação permite estudar edifícios e defesas sem apresentar uma escavação inicial como uma reconstrução completa do povoado.

  • Os castros reuniam vida doméstica, produção e defesa.
  • Santa Lucía · Astariz · Castrelo de Miño.
  • A escavação de Trelle de 2025 continuou as sondagens de 2024.
Xunta de Galicia · Castro de Trelle (2025)
O Testemunho·Registo Arqueológico

Ler a paisagem arqueológica

Ilustração interpretativa: arqueólogos atuais a estudar fundações baixas de um castro
Ilustração histórica · Cena imaginada

Em Santa Lucía de Astariz, os edifícios escavados e um lagar rupestre ligam a paisagem castreja à agricultura romana. O estudo de 2024 da equipa de escavação situa a construção do lagar no final do século I, com uso seguro no II e possível continuidade no III. A prensagem terminou no final do III ou início do IV, enquanto o local continuou ocupado na Antiguidade tardia. A sequência importa porque um mesmo sítio conserva histórias diferentes.

San Cibrao de Las, entre San Amaro e Punxín, é um grande povoado fortificado com muralhas, ruas e recintos domésticos. Castromao oferece a placa de 132 e Santomé, perto de Ourense, conserva ocupações castrejas e romanas. Em conjunto, mostram modos de vida em mudança, em vez de uma sociedade antiga inalterada.

  • Lagar de Santa Lucía: construído no final do século I.
  • Placa de Castromao: um acordo datado de 132.
  • Santomé conserva diferentes fases de ocupação.
Pérez Losada et al. · Minius 30 (2024)
Religião local·Fontes locais e inscrições romanas

Nascentes, oferendas e deuses locais

Ilustração interpretativa: paisagem de uma nascente natural, um carvalho e um vale fluvial galego
Ilustração histórica · Cena imaginada

As aras de pedra oferecem algumas das provas mais claras da vida religiosa antiga de Ourense. As dedicatórias conservam nomes de deuses indígenas na língua e nas formas do culto romano. Nas Burgas, inscrições a Revve Anabaraego e às Ninfas ligam as nascentes termais a oferendas e práticas religiosas. São testemunhos identificáveis, não uma religião reconstruída a partir do folclore moderno.

Uma nascente podia ser útil, reparadora e sagrada ao mesmo tempo. O contexto arqueológico ajuda a compreender a importância da água para quem aqui se estabeleceu. As histórias posteriores sobre fontes santas, carvalhais ou santos também pertencem à cultura regional, mas precisam das suas próprias provas datadas para serem relacionadas com um culto antigo.

  • As Burgas: dedicatórias a Revve Anabaraego e às Ninfas.
  • As inscrições latinas conservam nomes divinos indígenas.
  • As tradições posteriores têm as suas próprias histórias.
Museo Arqueolóxico de Ourense · Ara a Reve
O Legado·Cultura e Tradição Vivas

Paisagens antigas, tradições vivas

Ilustração interpretativa: músicos galegos atuais e vizinhos a dançar junto a um espigueiro
Ilustração histórica · Cena imaginada

A música tradicional dá voz à paisagem galega. Gaitas, pandeiretas, sanfonas e tambores acompanham cantos e danças como a muiñeira. O Museo do Pobo Galego apresenta estes instrumentos ao lado de acrescentos posteriores, como o acordeão e o violino. As coleções mostram tradições aprendidas, adaptadas e transmitidas entre gerações.

O arquivo oral do museu acrescenta lugares, datas e informantes identificados a esta história. As gravações aproximam o mundo de gerações familiares recentes, enquanto a arqueologia explica os castros muito mais antigos. Os festivais celtas modernos e as trocas culturais atlânticas exprimem identidade regional; cada canto ou costume exige a sua própria história, sem presumir sobrevivência intacta desde a Idade do Ferro.

  • A música acompanha trabalho, festas e vida familiar.
  • Os arquivos orais registam intérpretes, lugares e datas.
  • As tradições vivas mudam ao serem transmitidas.
Museo do Pobo Galego · Música e o Arquivo do Patrimonio Oral

Património

Povoados, objetos e museus para conhecer a Idade do Ferro no Ribeiro e em Ourense.

Cidade de San Cibrán de Lás

Castro
Grande povoado fortificado entre San Amaro e Punxín, com muralhas, ruas e recintos domésticos.

Castromao (Coeliobriga)

Castro
Castro perto de Celanova identificado com Coeliobriga, associado aos Coelerni e à placa de hospitalidade de 132.

Castro de Santa Lucía

Castro
Povoado fortificado (2,75 ha) com lagar rupestre romano, de uso seguro no século II d.C. (estudo de 2024). Astariz, Castrelo de Miño

Castro de Santomé

Castro
Perto de Ourense: povoados castrejos e romanos escavados mostram fases diferentes de edifícios e vida quotidiana.

Castro de Las Cavadas

Castro
Sítio castrejo em Castrelo de Miño, para investigar o povoamento antigo do vale.

Castro de Macendo

Castro
Sítio castrejo do vale do Minho em Castrelo de Miño, parte da paisagem arqueológica local.

Castro de Trelle

Castro
Castro na área de Toén e Barbadás, perto de Cartelle. A escavação de 2025 continuou as sondagens de 2024.

Aquis Querquennis

Castro
Acampamento romano em Bande, estabelecido nos anos 70 d. C. e ligado à construção da Via Nova.

Petroglyphs of Reigoso

Artefato
Gravuras rupestres de Reigoso, Castrelo de Miño: covinhas e motivos geométricos da paisagem pré-histórica regional.

Tabula Hospitalitatis

Artefato
Pacto monumental de hospitalidade gravado em bronze (132 d.C.) selado entre coelernos e roma. Resgatada em Castromao

Ourense Gold Torcs

Artefato
Par de torques de ouro da Idade do Ferro no British Museum, tradicionalmente associados a Ourense; o local exato do achado não está registado.

Triskelion of Castromao

Artefato
Insuperável Trisquel vazado (séc. I a.C. – I d.C.), joia coroada da singular arte da cultura castreja

Museo Arqueolóxico de Ourense

Museu
Baluarte museológico provincial zelando pelo trisquel, torques, numismática e espólio celta valioso

PACC Lansbrica

Museu
Interpretação da cultura castreja junto ao povoado escavado de San Cibrao de Las.

Datas-Chave

  1. Pré-história

    As mamoas megalíticas fazem parte da paisagem pré-histórica da Galiza interior.
  2. Pré-história

    As gravuras rupestres de Reigoso, em Castrelo de Miño, acrescentam outra camada à paisagem pré-histórica.
  3. Idade do Ferro

    Os povoados fortificados difundem-se pelo noroeste durante o primeiro milénio a. C., com diferenças locais de data e forma.
  4. Primeiro milénio a. C.

    Castromao desenvolve-se em sucessivas fases de ocupação; a sua placa romana posterior nomeia os Coelerni.
  5. Final da Idade do Ferro

    San Cibrao de Las desenvolve-se como um importante povoado fortificado, ocupado também em época romana.
  6. 137 a.C.

    Décimo Júnio Bruto avança de forma implacável contra os clãs galaicos, gloriando-se eternamente do seu célebre cognome "Galaico"
  7. 29–19 a.C.

    As guerras cantábrico-astures completam a conquista romana do norte peninsular.
  8. 132 d.C.

    A placa de hospitalidade de Castromao regista o pacto dos Coelerni com Gneu António Aquilo.
  9. Séc. II d.C.

    Uso seguro do lagar rupestre romano do Castro de Santa Lucía, segundo o estudo arqueológico de 2024; a continuidade no século III é possível
  10. Época romana

    Castromao e Santomé mudam durante a época romana; as suas sequências escavadas não partilham uma única data de abandono.
  11. Anos 1920

    As primeiras escavações de San Cibrao de Las começam a revelar muralhas, ruas e casas.
  12. 1969

    Trazido magnanimamente da penumbra perante o sol do século XX, desenterram o aclamado Castro de Santomé (Ourense), abraçando uma ressurreição sistemática arqueológica iniciada somente pelo idílico horizonte de 1983
  13. 1970

    Descobre-se a placa de hospitalidade de Castromao, com o nome dos Coelerni e um pacto datado de 132.
  14. 2014

    Abre ao público o centro de interpretação dos castros em San Cibrao de Las.
  15. 2016

    A Universidade de Vigo inicia as campanhas de escavação de Santa Lucía em Castrelo de Miño, depois publicadas com o lagar romano e outros achados.
  16. 2024

    As sondagens arqueológicas de Trelle investigam as estruturas defensivas do castro.
  17. 2025

    Uma nova campanha em Trelle continua o estudo e a conservação do sítio.

A terra garda nos seus castros a memoria das antigas comunidades.

A terra guarda nos seus castros a memória das antigas comunidades.

Castros e galaicos

Fontes e leituras

O Ribeiro · Avia · Miño · Arnoia

Comece pelo lugar. Siga as pessoas.

Os vales do Avia, Miño e Arnoia são o fio deste guia. Leia a história regional, explore as casas e os apelidos e abra a árvore para ver as relações apoiadas por documentos.